domingo, 14 de fevereiro de 2016

Vinho Laranja


Um novo tipo de vinho? Apenas uma moda? O que é?

  
Na semana passada tive o privilégio de provar um vinho “laranja” de um produtor português, que certamente será dos primeiros a seguir esta tendência. Ainda não posso revelar a origem, mas isso não é relevante de momento. O que gostaria mesmo é de falar sobre vinhos laranja.

Primeiro aspecto, e para esclarecer logo de base que não se trata de vinho feito de sumo de laranjas! É vinho, feito de uva, como qualquer outro vinho, neste caso, de uva branca. Então, o que os distingue dos restantes vinhos brancos?

São vinhos brancos feitos “à antiga” e como se de um tinto se tratasse, isto é, sem recurso a tecnologias ou frio, simplesmente com maceração muito prolongada (algumas semanas a um ano) das películas com o mosto, por forma a extrair cor, mas também corpo, taninos e alguns amargos e oxidação do vinho. Dito isto, se calhar Portugal até tem, tradicionalmente, alguns vinhos “laranja”, mas não sofreram um meticuloso processo de marketing, pelo que, não pertencem a esta conversa...

Logo pela cor percebemos que estamos perante um vinho invulgar, pois tem uma cor que vai desde um amarelo com tonalidade laranja até vinhos de cor âmbar, passando pela cor de laranja bastante pronunciada. Nos aromas, também se percebe que se tratam de vinhos diferentes, pois não têm o carácter frutado e floral de um vinho branco jovem, mais comum entre nós. Este em particular apresentava um aroma concentrado, ligeiramente oxidado, com notas de laranja cristalizada e funcho, com sugestões de uva em passa e barro, num conjunto bastante invulgar mas intrigante ao mesmo tempo.

Na boca as diferenças também são bastante evidentes: Mais corpo e estrutura, tanino e adstringência, um sabor mais oxidado e amargo, o tal carácter menos frutado ou floral dos vinhos brancos mais vulgares. Ligeiramente rústico na textura, foi um vinho que considero que teve a sua temperatura ideal de consumo nos 12 a 14 graus, ou seja, ligeiramente frio, como se de um tinto ligeiro se tratasse. Aliás, são vinhos que na boca têm corpo e textura de um tinto, mas com frescura de um branco.

Não sei como serão os restantes, e já ouvi rumores de outros produtores que preparam os seus vinhos laranja (e estou curioso para saber que enquadramento legal é que estes vinhos terão), mas fico na expectativa de provar mais, pois foi caso para dizer “Um vinho que inicialmente se estranha, mas que depois se entranha”.

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